sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Pequenas ações, grandes aprendizados



Vou contar uma história, mas dessa vez não saiu dos contos de fadas.
Era uma vez...

Maria é uma senhora com mais de 50 anos que vive a mais de 10 anos em uma “favela”, ou melhor uma comunidade pobre localizada na periferia de uma grande cidade de nosso país. Teve 5 filhos e hoje vive com seu marido e mais 3 netos. Ela é conhecida na comunidade como a vó Maria, principalmente pelas crianças que adoram ir até sua casa tomar um café.

A comunidade não é muito amistosa, tem a presença constante da “força maior” segundo vó Maria, referindo-se ao tráfico de drogas, que acaba gerando muitas mortes, vó Maria sabem bem como é pois já perdeu um filho pelas drogas. A presença da violência, falta de saneamento básico, moradias precárias, muito lixo por todos os lados, evidencia um contexto de inúmeros problemas sociais. Mesmo assim, diante desse contexto complicado dão show de solidariedade, se ajudam a superar a fome, a doença, a falta de emprego e renda, dividindo o pouco que tem.

O bom coração de vó Maria já ajudou muita gente da comunidade, cuida dos doentes, de algumas crianças para suas mães poderem trabalhar (uma verdadeira creche comunitária), dividindo seu pão com todos aqueles que chegam até sua porta pedindo ajuda. Assim vive vó Maria.

Mas agora, vó Maria deseja envolver mais mulheres com a ajuda de um Projeto Social que atua nas imediações. Ela deseja que não somente ela seja beneficiada e por isso levou a oportunidade de formação profissional para um grupo de mulheres da comunidade. Foi oferecido curso de corte e costura, que era realizado no salão de uma igreja próxima. Percebeu-se o entusiasmo daquelas mulheres, realmente estavam muito empolgadas com a oportunidade. Mas começaram a desistir do curso tão importante para elas. Frente aos fatos, o projeto social que estava promovendo essa iniciativa buscou compreender o que estava acontecendo, afinal foi difícil conseguir o curso, mais equipamentos, materiais e local. O primeiro passo foi ouvir as mulheres, que simplesmente afirmavam que não iriam mais, com persistência começou a se perceber que havia um desconforto entre as mulheres, na verdade elas não se sentiam a vontade de ir fazer o curso fora da sua comunidade. Sentiam-se inferiorizadas. Diante disso, trabalhou-se na perspectiva da valorização da autoestima das mulheres para que pudesse dar continuidade no curso tão importante para suas vidas, visto que dentro da própria comunidade não havia possibilidade de acontecer.

Conclusão, mesmo com muitos desafios o grupo concluiu o curso. E elas se sentiram tão empoderadas que depois disso, começaram a se reunir na casa de vó Maria para costurar, seu primeiro trabalho foi sacolas ecológicas, outras fazendo e ensinando crochê...foi tomando novas proporções essa iniciativa com as mulheres, além delas sentirem-se orgulhosas pela conquista, sentiram-se valorizadas, mais que isso, devolveu a elas o brilho no olhar, a esperança de dias melhores, da superação das dificuldades e a conquista da dignidade, aos poucos fazendo gerar renda tão importante para a sobrevivência de suas famílias.

As mulheres perceberam que juntas iam mais longe, são mais fortes e conseguem superar o preconceito, a falta de autoestima e assim começam a desenhar junto com a comunidade novos sonhos, novas perspectivas...fazendo o coração pulsar, com coragem e alegria de ir em frente.

Mais sonhos foram se concretizaram e desafios foram vencidos, mas essa história contarei no próximo capítulo se assim vocês desejarem. 

Abraços,
Samara

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Ver além do que a realidade nos mostra



Em nosso dia a dia precisamos parar para olhar as situações de diferentes ângulos antes de fazermos qualquer julgamento. Pois só assim, conseguimos ver além do que os olhos podem ver.

Quando vemos coisas feias, nos habituamos a ver tudo o que nos cerca dessa mesma forma, nos conformamos com o que vemos. Do mesmo modo acontece quando olhamos para as coisas boas e bonitas.

Não podemos banalizar nossas práticas sociais. Não podemos nos conformar em ver a mesma realidade sempre... há não tem jeito mesmo; ... ninguém quer fazer nenhum esforço; ... querem tudo pronto... há isso não muda.... Quando atuamos em projetos sociais, precisamos ver além do que de fato a realidade nos mostra, precisamos acreditar e ver de forma diferente aquela realidade, precisamos visualizar a mudança, as coisas boas acontecendo, ficar no negativismo não vai resolver nada.

Que possamos aproveitar cada oportunidade para construir algo de bom que faça a diferença na vida das pessoas. Buscar um olhar de quem vê o potencial que cada um carrega em si. Das possibilidades de mudança, de melhoria da qualidade de vida para todos os envolvidos.

Desafio você a ver além, ver além dos problemas apresentados, a ter um novo olhar sobre as soluções, sobre as possibilidades de ser diferente da realidade dura que a maioria das pessoas vivem.

Que uma luz nova possa brotar no coração e nos olhos de todos que estão comprometidos com a transformação social. Construa um novo olhar, uma nova perspectiva de ver as coisas em sua vida, na sua família e nas ações sociais. Simples, mas faz uma grande diferença.

Abraços,
Samara Arpini 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Você escolhe o caminho




Em projetos sociais um aspecto importante que deve ser discutido e refletido por todos os envolvidos na ação é a metodologia, como fazer, qual o caminho vamos percorrer para se chegar a mudança desejada. Como exposto no post passado rompendo com o assistencialismo, hoje quero trazer um pouco dos caminhos que podemos escolher quando estamos dispostos a iniciar uma ação social ou projeto social.

É certo que o entusiasmo pode tomar conta quando iniciamos um projeto social e queremos fazer muita coisa, mas a cada passo dado percebe-se que as escolhas realizadas não condizem com o que se esperava. Muitos são os desafios, muitas vezes fazemos escolhas que nos acomodam porque são mais fáceis frente os desafios e isso compromete as mudanças e por consequência o futuro.

Gostaria de deixar claro que está em nossas mãos a escolha do caminho, metodologia a ser seguida quando implantamos um projeto social. São apenas duas direções, uma apontando para ações que geram dependência, práticas puramente assistenciais, caritativas e outra direção aponta para o protagonismo, participação das pessoas, autonomia e por consequência a transformação social, o desenvolvimento comunitário trazendo qualidade de vida para todos.

Basta analisar a metodologia escolhida pelo projeto para percebermos quais serão suas implicações futuras e se de fato irão gerar transformação social ou apenas dependência.

A escolha do caminho está nas suas mãos, portanto aproveite a oportunidade para gerar mudanças positivas na vida das pessoas.

Abraços,
Samara Arpini