quinta-feira, 29 de março de 2012

Desenvolvimento Comunitário x Investimento Social

Nos últimos dias, tenho refletido sobre a questão de projetos sociais que geram o Desenvolvimento Comunitário versus Investimento Social. Pesquisando, encontrei informações que vem de encontro a algumas definições do que penso sobre o assunto. Segue abaixo algumas questões interessantes:

O que é desenvolvimento comunitário?
O desenvolvimento comunitário é o fortalecimento dos potenciais social, econômico e ambiental de uma região, município ou localidade, cuja finalidade é ampliar a qualidade de vida para seus habitantes. Ele é gerado pelo esforço conjunto de pessoas e organizações que se sentem parte ou implicados com uma comunidade. Também resulta do sentimento de pertencer e do entendimento de que os objetivos individuais são inteiramente alcançados quando os todos atingem suas metas. Assim, os propósitos coletivos são alcançados.
O IDIS define desenvolvimento comunitário como um processo por meio do qual uma comunidade de um dado território torna-se protagonista de seu próprio desenvolvimento. Esse processo ocorre por meio do desenvolvimento dos capitais humano e social, atendendo as seguintes premissas:
§  Mobilização comunitária;
§  Construção coletiva do conhecimento;
§  Criação e manutenção de espaços de participação;
§  Valorização dos talentos e recursos locais;
§  Articulação intersetorial;
§  Respeito ao tempo e às capacidades da comunidade.

 

Qual a função do investimento social nesse contexto?

Se empregado de forma estratégica, o investimento social – corporativo, familiar ou comunitário – tem a capacidade de alavancar o aperfeiçoamento de comunidades. Ele deve atuar nos elementos críticos para disparar um ciclo virtuoso de desenvolvimento. Para tanto, deve estar aliado aos ativos existentes na comunidade, potencializando os resultados do trabalho e do apoio.


Qual deve ser o papel do empresariado?

Quando não está presente localmente e, mesmo assim, investe em projetos de desenvolvimento comunitário, a empresa exerce o papel de “produtora social” da comunidade, pois oferece as condições econômicas, institucionais, técnicas e profissionais para que o processo de desenvolvimento ocorra. Neste caso, ela pode modular o grau de envolvimento com o projeto.
Já quando a companhia está presente no território – e, portanto, é parte da comunidade –, ela assume um papel de corresponsabilidade pelo processo de desenvolvimento comunitário. Além de “produtora social”, ela se torna participante e beneficiária dessa ação, pois investirá recursos e usufruirá diretamente do resultado do processo. Assim, se ela investe na educação e na qualificação da mão de obra local, aumenta a disponibilidade de profissionais que podem atender às suas necessidades de negócio e ajuda a fazer com que a prestação de serviços dos fornecedores seja mais eficiente.
Essa não é uma posição fácil de exercer, pois a empresa sofrerá pressões internas e externas para agir de forma assistencialista, como uma mera doadora de recursos, e estabelecendo uma perigosa relação de balcão com os atores locais. Mas a companhia não pode se isolar da comunidade, pois fica mais vulnerável – pela falta de comunicação contínua e coerente com esse stakeholder – e não forma vínculos de longo prazo. A saída é encontrar o equilíbrio entre os interesses, respeitando os limites do protagonismo local.

Quantos investidores sociais atuam com desenvolvimento comunitário no Brasil?
De acordo com o Censo Gife, em 2006, 32% dos associados ao Grupo de Institutos e Fundações (GIFE) destinavam recursos para ações de desenvolvimento comunitário. Em 2008, a nova edição desse levantamento apontou o crescimento de 16 pontos percentuais (totalizando 48%) no número de associados que aplicavam no setor.

Quais as vantagens de se investir em projetos e programas de desenvolvimento comunitário?

Entre os diferenciais para os investidores sociais estão:
§  Política de engajamento: constituir parcerias estratégicas nas comunidades;
§  Gerenciamento de relacionamentos: conhecer melhor costumes, cultura e necessidades locais;
§  “Empoderamento” de pessoas, instituições e relações;
§  Qualificação da relação com o poder público local;
§  Facilidade em sustentar a comunicação, de forma contínua e diretiva;
§  Desenvolvimento e fortalecimento da cidadania participativa, multiplicando as informações junto ao poder público e à sociedade civil;
§  Ruptura da “relação de balcão” com as comunidades;
§  Ser corresponsável pelo desenvolvimento da comunidade, junto com os atores locais.









quinta-feira, 22 de março de 2012