segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A arte de refazer




Amo flores, jardim, árvores...amo estar em meio a natureza, por isso, sempre que posso gosto de mexer no jardim de casa, além de gostar de mexer com as plantas amo o resultado, a beleza das flores, o quanto tudo fica lindo.  Mas como o jardim fica na área externa, tem alguns contratempos, riscos como chuva e sol com muita intensidade, pragas, insetos, cachorros na rua, ou seja, precisei refazer o jardim diversas vezes, mas valeu o esforço quando vemos o resultado final.

Quem nunca precisou refazer alguma coisa na sua vida, refazer alguma atividade, refazer planos, metas, estratégias…simplesmente fazer de novo... de novo até chegar ao objetivo proposto.

Quantos projetos sociais acabam desistindo quando aparece uma situação complicada difícil, sem ao menos tentar inúmeras vezes até conseguir o objetivo. Quando estamos no caminho certo, não importa quantas vezes precisamos refazer, devemos persistir tantas vezes for necessária até alcançar a mudança desejada.

Eu particularmente não gosto de precisar refazer as coisas, por isso me dedico ao máximo em tudo o que faço, mas mesmo assim preciso refazer algumas coisas, pois não está nas nossas mãos o controle de tudo. 

Mas o ponto onde quero chegar, é compartilhar o quanto pode ser significativo muitas vezes refazer algo e perceber o quanto aprendemos, o quanto percebemos as diferentes formas de se fazer algo, sendo que chegaremos ao mesmo resultado. Há quem diga, mas isso é um retrocesso, retrabalho como pode ser bom? Tudo depende da forma como você encara as coisas. Quando compreender que o refazer traz consigo novas experiências, aprendizagem, sobretudo desenvolvimento, vai perceber que sempre vale a pena continuar tentando, persistindo até chegar ao resultado.

Sempre há tempo para rever planos, estratégias, metas e mudar o caminho e se necessário refaça quantas vezes for necessário, porque refazer é uma arte

Você pode encontrar flores lindas no caminho refeito, mais que isso, pode se surpreender com os resultados.

Abraços,
Samara Arpini

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Cultivando boas relações



“ O amor é de uma grandeza superior à da opinião. Se as pessoas gostarem umas das outras, as mais diversas opiniões poderão ser conciliadas. ”
Rudolf Steiner


Podemos entender os relacionamentos como portas de entrada através do qual podemos começar a enxergar a equipe e a comunidade com a qual estamos trabalhando. Isso significa ver além das estruturas, procedimentos e recursos... e perceber a cultura, os valores, os pensamentos ocultos. É somente ao enxergar o outro como ser humano igual a si próprio que as pessoas passarão a revelar esses segredos. Ou seja, elas estarão predispostas a dizerem realmente o que está acontecendo.

Criar e fortalecer os relacionamentos também são um propósito fundamental do trabalho social. Pois onde existe acolhimento, confiança e relações transparentes, uma série de possibilidades ganha a chance de desabrochar. Podemos descobrir que somos capazes de falar mais honesta e livremente, que podemos ser mais autênticos, mais criativos, mais produtivos e até mais generosos. Temos menos medo de errar e somos mais capazes de aprender coletivamente com os nossos erros.

Uma ação onde envolve o trabalho de várias pessoas com propósito comum deveria ser óbvio que precisamos cultivar boas relações para que possamos alcançar o objetivo.

Não é possível ensinar a construir relações, mas pode ser aprendido. Observando os outros, ouvindo as histórias, vendo a reação dos outros aquilo que você diz e faz... outro ponto importante aqui, é envolver a comunidade junto ao projeto social.

Portanto, os relacionamentos em que o calor humano, a integridade e a confiança estão presentes ajudam as pessoas a se lembrar de sua essência humana e ao permitir que elas se abram para os outros, permite que elas se abram também para as possibilidades de mudança.


Fica a dica.

Abraços,
Samara Arpini


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Pequenas ações, grandes aprendizados



Vou contar uma história, mas dessa vez não saiu dos contos de fadas.
Era uma vez...

Maria é uma senhora com mais de 50 anos que vive a mais de 10 anos em uma “favela”, ou melhor uma comunidade pobre localizada na periferia de uma grande cidade de nosso país. Teve 5 filhos e hoje vive com seu marido e mais 3 netos. Ela é conhecida na comunidade como a vó Maria, principalmente pelas crianças que adoram ir até sua casa tomar um café.

A comunidade não é muito amistosa, tem a presença constante da “força maior” segundo vó Maria, referindo-se ao tráfico de drogas, que acaba gerando muitas mortes, vó Maria sabem bem como é pois já perdeu um filho pelas drogas. A presença da violência, falta de saneamento básico, moradias precárias, muito lixo por todos os lados, evidencia um contexto de inúmeros problemas sociais. Mesmo assim, diante desse contexto complicado dão show de solidariedade, se ajudam a superar a fome, a doença, a falta de emprego e renda, dividindo o pouco que tem.

O bom coração de vó Maria já ajudou muita gente da comunidade, cuida dos doentes, de algumas crianças para suas mães poderem trabalhar (uma verdadeira creche comunitária), dividindo seu pão com todos aqueles que chegam até sua porta pedindo ajuda. Assim vive vó Maria.

Mas agora, vó Maria deseja envolver mais mulheres com a ajuda de um Projeto Social que atua nas imediações. Ela deseja que não somente ela seja beneficiada e por isso levou a oportunidade de formação profissional para um grupo de mulheres da comunidade. Foi oferecido curso de corte e costura, que era realizado no salão de uma igreja próxima. Percebeu-se o entusiasmo daquelas mulheres, realmente estavam muito empolgadas com a oportunidade. Mas começaram a desistir do curso tão importante para elas. Frente aos fatos, o projeto social que estava promovendo essa iniciativa buscou compreender o que estava acontecendo, afinal foi difícil conseguir o curso, mais equipamentos, materiais e local. O primeiro passo foi ouvir as mulheres, que simplesmente afirmavam que não iriam mais, com persistência começou a se perceber que havia um desconforto entre as mulheres, na verdade elas não se sentiam a vontade de ir fazer o curso fora da sua comunidade. Sentiam-se inferiorizadas. Diante disso, trabalhou-se na perspectiva da valorização da autoestima das mulheres para que pudesse dar continuidade no curso tão importante para suas vidas, visto que dentro da própria comunidade não havia possibilidade de acontecer.

Conclusão, mesmo com muitos desafios o grupo concluiu o curso. E elas se sentiram tão empoderadas que depois disso, começaram a se reunir na casa de vó Maria para costurar, seu primeiro trabalho foi sacolas ecológicas, outras fazendo e ensinando crochê...foi tomando novas proporções essa iniciativa com as mulheres, além delas sentirem-se orgulhosas pela conquista, sentiram-se valorizadas, mais que isso, devolveu a elas o brilho no olhar, a esperança de dias melhores, da superação das dificuldades e a conquista da dignidade, aos poucos fazendo gerar renda tão importante para a sobrevivência de suas famílias.

As mulheres perceberam que juntas iam mais longe, são mais fortes e conseguem superar o preconceito, a falta de autoestima e assim começam a desenhar junto com a comunidade novos sonhos, novas perspectivas...fazendo o coração pulsar, com coragem e alegria de ir em frente.

Mais sonhos foram se concretizaram e desafios foram vencidos, mas essa história contarei no próximo capítulo se assim vocês desejarem. 

Abraços,
Samara